NOSSO CAMINHO DE SANTIAGO - do 21 ao 31 dia


Caminho Villar de Mazarife a Astorga

21o dia - De Villar de Mazarife até Astorga - 30 Km


Acordei com muita náusea. Desci para colocar as botas, Lolita, uma doce senhora que cuida do albergue pela manhã, me ofereceu um remédio, eu tomei e nem perguntei o que era *r*. Depois de um tempo melhorei.


O céu estava negro e ventava muito, mesmo assim saímos. Pedimos muito a Deus para que não chovesse. A chuva do dia anterior já bastava. Para nossa felicidade só choveu quando estávamos chegando a Astorga..

Caminhamos muito, cruzamos alguns pueblos e no final do dia chegamos  ao destino.

Caminho Villar de Mazarife a Astorga
Quando chegamos a Astorga, perguntei para um grupo de senhoras se poderiam nos indicar algum hostal. Pensaram e conversaram muito com a melhor das intenções. Olhei para o meu marido e ele estava desolado com tanta falação *r*. Até que uma das senhoras lembrou da Casa das Monjas. Nos indicou onde era e para lá fomos.

A Casa das Monjas era uma residência para estudantes. É administrada pelas Missionárias Apostólicas da Caridade. Hoje elas hospedam peregrinos, mas não há divulgação. Mais uma vez fomos abençoados de chegar nesta linda residência e sermos recebidos pela Irmã Irene, uma linda!

Tudo é limpinho, um quarto com banheiro  (10 Euros por pessoa), fica na Calle San Javier.

Casa das Monjas
Casa das Monjas
Eu fiquei tão feliz com o acolhimento que abracei a irmã emocionada, claro que depois que eu tomei banho *r*.

Nós gostamos muito de Astorga, é uma cidade encantadora. Apesar de ser verão, estava bem frio.

Astorga
Astorga
Astorga
Astorga
Jantamos no maravilhoso Restaurante Serrano que é muito caro, mas vale a pena, pratos elaborados e saborosos.

Restaurante Serrano
Uma curiosidade esclarecida pela garçonete que nos atendeu, que aliás é  irmã do Chef e que são filhos do fundador do restaurante. Os espanhóis usam o anel de casamento na mão direita, tradição que ela entende ser por questões políticas de aversão à esquerda.

22o dia - De Astorga  até Foncebadón - 25,9 Km

Estava muito frio e a cama boa, para quê madrugar?  Saímos às 8h30. 

Caminho Astorga a Rabanal del Camino
Caminho Astorga a Rabanal del Camino
No caminho cruzamos com batalhões do exército espanhol em treinamento e rolou muito Buen Camino de ambos os lados!

O Caminho foi ótimo, passamos por lindos pueblos, algo que não acontecia há tempos. Fiquei encantada com Rabanal del Camino e paramos para almoçar no Mesón Refúgio, a comida estava ótima.

Mesón Refúcio em Rabanal del Camino

Depois do almoço seguimos para Foncebadón que nos decepcionou, pois é muito feio, um pueblo em ruínas que está se recuperando graças ao Caminho, mas ainda continua decrépito. Fica  1.430 metros de altitude. É bem frio!. 

Felizes depois de um belo almoço - a caminho de Foncebadón

Nos hospedamos no Albergue Cruz de Fierro (10 Euros por pessoa) que é novo, são 16 camas por quarto, bons banheiros, mas nós não gostamos da energia do lugar.

Estava muito, mas muito frio e mesmo assim saímos e descobrimos um Restaurante Medieval, a Taberna Gaia. Atendimento excelente e boa comida.

Taberna Gaia - Foncebadón

23o dia - De Foncebadón até Molinaseca - 19,7 Km

Saímos às 7h40 com um frio intenso, acreditamos que marcava uns 3 graus.

Foncebadón

 O Caminho é lindo, entre montanhas e encantadores pueblos.

Caminho Foncebadón a Molinaseca
Caminho Foncebadón a Molinaseca

Havíamos programado ir até Ponferrada, mas quando vimos Molinaseca nos apaixonamos. E assim se faz o Caminho, permita-se ficar onde gosta ou seguir se não agradar.

Molinaseca
Rapidamente encontramos uma hospedagem: Casa Pichin (Calle Manuel Fraga - fone 655 469 017). O quarto é pequeno com banheiro e café da manhã (30 Euros).  Os donos são bem simpáticos, tudo ótimo!

Quarto da Casa Pichin

Almoçamos no Mesón Puente Romano que fica ao lado da ponte,  compartilhamos um Menu do Peregrino (10 Euros) com direito a mexilhões no vapor, bife com batatas, vinho e pudim. O atendimento foi mais ou menos.

Mesón Puente Romano
À tarde encontramos amigos queridos o italiano Cláudio e a namorada, a simpática espanhola Núbia. Por todo Caminho encontramos com este grupo.

Mais um encontro em Molinaseca
Molinaseca
Molinaseca

24o dia - De Molinaseca até Villafranca del Bierzo - 31,7 Km

Que maravilha café da manhã com frutas na Casa Pichin! Raridade no Caminho.

café da manhã com frutas

Nossa primeira parada foi na linda cidade de Ponferrada. Visitamos o Castelo dos Templários (4 Euros para aposentados). Bem interessante!


Castelo dos Templários - Ponferrada
Castelo dos Templários - Ponferrada
Castelo dos Templários - Ponferrada
Ponferrada

Estávamos dispostos e o dia maravilhoso, então caminhamos muito por lindas paisagens. Vimos as colheitas das uvas (vindima) feita por famílias inteiras. É raro ver funcionários, em geral a própria família atua nas plantações, bares, restaurante e pensões.

Caminho de Ponferrada à Villafranca - vindima
Caminho de Ponferrada à Villafranca - figos secando na porta das casas
Caminho Ponferrada à Villafranca - muitas maçãs  pelo Caminho
Caminho de Ponferrada à Villafranca - tamanho da abóbora
Caminho de Ponferrada à Villafranca 
Caminho de Ponferrada à Villafranca

Chegamos à Villafranca por volta das 18h30. Hotéis caros e decidimos ir ao Albergue Leo que foi uma grata surpresa: é bárbaro! Conseguimos os dois últimos lugares. Fomos muito bem recebidos pela família que administra o albergue. Um dos melhores albergues do Caminho. Infelizmente não temos fotos, visite o site.

Villafranca del Bierzo
Villafranca del Bierzo
Jantamos no Restaurante El Casino, boa comida e o garçom faz o que pode para atender tantos clientes.

Restaurante El Casino - Villafranca del Bierzo
Quando retornamos para a hospedagem, a família que cuida do albergue estava jantando. O Sr. Pepe, pai da hospitaleira, bateu um agradável papo com meu marido. São muito amáveis!

Este pueblo lembrou um pouco a nossa Campos do Jordão.


25o dia - Villafranca del Bierzo até Vega del Valcarce - 17 Km

Saímos às 9h, decidimos caminhar menos e descansar para enfrentarmos o temido Cebreiro.

Saída de Villafranca del Bierzo
Mais um dia muito lindo! Como somos abençoados! As poucas dificuldades que surgiram nesta jornada, sempre apareceu um anjo para nos ajudar.

Caminho de Villafranca del Bierzo à Vega del Valcarce
Caminho de Villafranca del Bierzo à Vega del Valcarce
Em Vega de Valcarce ficamos hospedados na Pensión Fernandez (Plaza del Ayuntamiento). Negociamos e pagamos 25 Euros com banheiro compartilhado.

Pensión Fernandez
A hospedagem fica ao lado do rio e algumas pessoas estavam tomando sol. Há até escadinha para entrar no rio, é uma piscina e tem muitas trutas. É conhecido como Praia Fluvial. Também vimos uma vizinha de biquini deitada em uma cadeira de praia tomando sol.na rua. Estendermos as roupas no varal da hospedagem que também fica ao lado do rio. São cenas muito diferentes das que estamos acostumados. Tudo isto em frente à Prefeitura.

Vega de Valcarce
Foi muito bom pararmos e descansarmos. É muito importante respeitar seu corpo.


26o dia - De Vega del Valcarce até Triacastela - 33 Km

Estávamos prontos para subir o Cebreiro, saímos no escuro e fazia muito frio. Ouvimos tantas histórias sobre o Cebreiro que esperávamos uma dificuldade maior, no entanto, para nós foi bem fácil subir. O dia está maravilhoso e caminhamos bem felizes.


Caminho  Vega del Valcarce ao Cebreiro

No Caminho encontramos nosso amigo Mário que é brasileiro e a Rachel que é americana, foi uma festa!

Amigos queridos

A região é bem rural e o cheiro das vacas é muito forte. Como faz muito frio no inverno, é comum os animais ficarem em currais sob as casas. Imagino que o povo está acostumado com o cheiro!!!

Quando chegamos ao topo do Cebreiro, entramos na igreja e li a lindíssima Oração do Peregrino, como fiquei emocionada!

Cebreiro
Cebreiro
Depois do Cebreiro seguimos sós e ouvindo a coleção de músicas de nossos celulares, foi uma delícia caminhar entre montanhas cantando e dançando. A mochila não pesava mais nada!

Caminho Cebreiro a Triacastela
Caminho Cebreiro a Triacastela

Este foi um dia para lá de especial, estávamos com uma energia tão boa, estávamos muito agradecidos.

Esta frase expressa todo nosso sentimento

"A felicidade é a experiência suprema do seu regresso a casa, do sentir-se tranquilo e em paz com a existência, numa completa unidade e harmonia" Osho

Final da tarde chegamos a Triacastela e procuramos uma hospedagem. Negociamos com a dona do hostal Vilasante (Avenida Camilo Jose Cela, 27630). Sim quando você chega tarde e há hospedagem, dá para negociar, pois dificilmente chegarão mais clientes. Quarto bom, simples, limpo e com banheiro por 30 Euros.

Hostal Vilasante

Jantamos no Parrilada Xacobeo, comida muito boa. Um dos pratos foi dobradinha, que na Espanha chamam de tripa, para quem gosta estava bem bom!





27o dia - De Triacastela até Sarria (via Samos) -  24,7 Km

Programamos ir direto para Sarria, sem passar por Samos, apenas 18 Km. Ao sair da cidade a sinalização é péssima e quando percebemos estávamos a caminho de Samos. Não gostamos de nada por onde passamos, não há serviço e nos deu a impressão que peregrinos não são bem-vindos.


Talvez tenha sido uma impressão errada de nossa parte por termos sido induzidos a seguir por este caminho, pois boa parte é feita numa floresta que lembra as histórias de Asterix e Obelix, o que foi bem legal! Só faltaram os romanos e javalis!!!!

Caminho de Triacastela a Samos
Ao entrar em Samos ficamos mais felizes com a gentileza do Caminho.

Gentilezas do Caminho

Vale a pena conhecer o Monastério que remonta o Séc. VI. O padre Augustin veio conversar conosco e nos disse que gosta de receber as fotos que tira com os peregrinos. Aí tiramos uma foto com ele.

Monastério em Samos
Padre Augustin e nós no Monastério de Samos

Ao sair de Samos resolvemos seguir pela estrada e não pelo Caminho. Foi um perrengue, amenizado pelo canto dos pássaros e do murmúrio do rio que a estrada acompanha.

O Caminho é como a vida, alguns dias são maravilhosos e outros nem tanto, resta-nos dar atenção ao que a vida nos oferece de melhor.

Em Sarria ficamos na Pensión Escalinata (Calle Mayor, 76), bom quarto e simples que fica no alto de uma longa escadaria por onde segue o Caminho e tem uma vista privilegiada. O José, que é o proprietário, é uma figura. Diária de 35 Euros com café da manhã.

Pensión Escalinata
José proprietário da Pensión com o marido, eu e uma peregrina alemã


Gostamos muito da cidade.

Sarria
Sarria

À noite, por indicação, fomos a Puperia do Luis, mas estava fechada. Uma simpática senhora nos abordou indicando o Mesón Roberto como alternativa para comermos polvo. Seguimos com ela até o restaurante e ela nos contou que é a cozinheira do mesmo. No fim, acabamos pedindo o Menu do Peregrino, pois é mais barato e pareceu ser bem saboroso também. Quando o garçom levou o pedido para cozinha ela disse bem alto: "mais eles queriam comer pulpo" *r*. Depois de saborearmos o menu, pedimos uma porção de pulpo que estava maravilhoso. Obrigada dona Célia!

Pulpo no Mesón Roberto

28o dia - De Sarria  até Portomarin-  22,4 Km

E Sarria amanheceu assim.


Amanhecer em Sarria
Para receber a compostelana (certificado em Santiago de Compostela) é preciso fazer pelo menos os últimos 100 Km.A partir de Sarria o Caminho é lotado de grupo de turistas. A fraternidade e paz termina aí. Portanto se você puder caminhar somente alguns dias, evite este  trecho. Você não receberá a compostelana, mas viverá o Caminho. Comentei com o marido que estes  últimos 100 Km é para nos prepararmos para voltarmos à nossa vida real.

Este trecho é muito bonito, há vários albergues, bares e paisagens lindíssimas.

Gentilezas do Caminho
Caminho de Sarria a Portomarin

No Caminho conhecemos Dionísio, um senhor querido, que nos pediu para rezarmos para ele em Santiago, pois a esposa é muito gastona*r*

Sr Dionísio e eu - Encontros pelo Caminho
Mais gentilezas no Caminho
Caminho de Sarria a Portomarin
Caminho de Sarria a Portomarin
Não estava pagando promessa não *r*, para entrar na cidade é preciso subir estas escadas. Portomarín tem uma história curiosa, pois a cidade era ao lado do rio e depois de uma enchente, refizeram a cidade na parte alta, o que sobrou da igreja foi transferida pedra por pedra.

Entrada de Portomarin

O perrengue começou quando chegamos em Portomarin, hospedagens caras e lotadas. Nos indicaram a Pensión Mar, Pepe, que é o dono, foi muito atencioso. Achamos muito caro e ele ligou para outros estabelecimentos e todos estavam lotados. Aí sugeriu o Albergue Municipal (6 Euros por pessoa) que era só atravessar a rua e para lá fomos. Hospedagem bem simples, mas limpa. As duchas são do tipo que desliga automaticamente e pareciam dos clubes que ia quando era criança e veja que faz muito tempo *r*. No quarto tinha umas 20 beliches, simplesmente dormimos.

Voltamos na Pensão do Pepe para agradecer, ele nos aconselhou a reservar hospedagem na próxima cidade. Ele mesmo fez a reserva. Também nos forneceu a senha do wifi do seu estabelecimento, pois o albergue onde ficamos não tinha. Este foi mais um anjo do Caminho. Obrigada Pepe!


San Nicolás de Portomarin
Portomarin
Portomarin

Com a indicação do Pepe jantamos no Restaurante Perez (Plaza Aviación Espanola,2). Muito bom o Menu do Peregrino (8,50 Euros).


29o dia - De Portomarín até Palais de Rei - 25 Km

Saímos cedinho, estava muito frio. Na rua já havia muitos "turisgrinos"que falavam alto. A paz do Caminho já não é mais a mesma. A fraternidade do início, agora está dispersa e concorre com o grande número de novos caminhantes com propósitos mais voltados para o turismo.


Havia muita neblina e o tempo estava bem fechado. O humor fica mais abalado com o tempo cinza , mas após às 11 horas o sol apareceu com força e trouxe com ele um estímulo revigorante!

Caminho de Portomarin a Palais de Rei
Encontramos nossos amigos de Floripa Lu e Everton

Em Palais del Rei ficamos na Pensión Casa Curro Avenida Ourense, 15  (35 Euros a diária). Simples e limpo.

Pensión Casa Curro
Passeamos pela pequena cidade e fomos à missa dos peregrinos. Nessa região da Galícia o sotaque é engraçado misturando português com espanhol. Eles trocam, inclusive na escrita, o "j" e o "g" pelo "x", então "garagem" vira "garaxe".


30o dia - De Palais de Rei até Ribadiso de Baixo - 25,8 Km

Este trecho tem muitas subidas e descidas, mas foi tranquilo. O Caminho é lindíssimo! O calor estava muito forte e paramos algumas vezes.


Caminho Palais de Rei a Ribadiso de Baixo

Caminho Palais de Rei a Ribadiso de Baixo

Caminho Palais de Rei a Ribadiso de Baixo

Conhecemos o simpático casal Antonio e Carmem que se conheceram no Caminho há uns 15 anos.Caminhamos e papeamos com eles por um bom tempo.

Amigos espanhóis Antonio e Carmem
Caminho Palais de Rei a Ribadiso de Baixo

Paramos em um bar e conhecemos a brasileira Juliana que nos atendeu. Vivi há 8 anos na Galícia.

No bar da Galícia onde fomos atendidos pela brasileira Juliana

Decidimos ficar em Ribadiso de Baixo que é uma região bem bonita. Nos hospedamos no Albergue Milpés que é novo e bom (9 Euros por pessoa). Quarto com 4 beliches. Gostamos bastante.

Ribadiso de Baixo

Conversei com a funcionária do albergue e ela ligou para a hospedagem em Pedrouzo que eu sugeri, para saber preço e reservar. No final do Caminho há tanta gente que é melhor reservar hospedagem.


31o dia - De Ribadiso da Baixo até Pedrouzo - 22 Km

Saímos ainda estava escuro, com uma bela lua sob uma neblina charmosa. Por volta das 8 horas amanheceu um lindo dia. Caminhamos por belos pueblos com serviços.


Caminho Ribadiso da Baixo a Pedrouzo

Passamos perto das vacas que estavam indo para o pasto. Eu tenho muito medo e não passei entre elas. Além disso, aqueles rabos pendulando poderiam espalhar "coisas" pra todos os lados! *r*

Caminho Ribadiso da Baixo a Pedrouzo

Seguimos boa parte com um querido senhor italiano, que nos esforçamos para entendê-lo, já que não falava outro idioma. Agradável companhia.

Caminho Ribadiso da Baixo a Pedrouzo

Em Pedrouzo ficamos em um bom quarto com banheiro no Albergue O Burgo - Avenida de Lugo, 47 (35 Euros). O atendimento deste albergue é excelente.

Hospedagem no Albergue O Burgo

Fomos à missa dos peregrinos às 19h e foi muito especial, pois um coral formado por peregrinos do Leste Europeu cantou lindamente. Muita emoção! Fomos presenteados com este canto.


Igreja de Pedrouzo

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