9 DIAS PELO "CAMINHOS DE CARAVAGGIO"

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio" (Foto: Mary Sato)


Nós fizemos em 9 dias o "Caminhos de Caravaggio", é recomendado fazer em 10 dias. Planejando suas paradas, você faz no ritmo que preferir.

Com o coração repleto de alegria compartilho com vocês como foi esta linda jornada pela Serra Gaúcha. Espero que este post possa inspirar você nesta caminhada.

Veja também Caminhos de Caravaggio - Uma Experiência Encantadora.



Canela

Decidimos iniciar o Caminho por Canela, onde chegamos na hora do almoço e aproveitamos para dar uma voltinha  e conhecer a Catedral de Pedra que é uma das atrações da cidade. Sua construção em estilo gótico inglês iniciou em 1953 e terminou em 1987. À noite a catedral fica mais linda toda iluminada.

Catedral de Pedra Canela
Catedral de Pedra


Neste dia aproveitamos para ir até o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio que está distante 8 km da Central de Informação Turística de Canela. O Santuário estava fechado e visitamos por fora.

Santuário de Caravaggio - Canela
Santuário de Caravaggio - Canela

Se você está chegando agora aqui, deixo te apresentar duas amigas queridas: Vivi, paulistana, que mora há muitos anos no Rio Grande do Sul e a Mary é de Brasília,  nos conhecemos no Caminho de Santiago de Compostela em 2015. Estes caminhos nos trazem os melhores presentes: amigos. Com elas seguimos por mais esta jornada.

Hospedagem em Canela

Optamos pela Pousada Cammino Della Serra que é simples, limpa e bem localizada. Está perto da Central de Informações Turísticas, local onde retiramos o Guia Oficial do Peregrino e o passaporte do Caminho.

Quarto - Pousada Cammino Della Serra
Quarto - Pousada Cammino Della Serra

O proprietário foi muito gentil e providenciou o café da manhã mais cedo. (peregrino sai cedinho para não ser castigado pelo sol).

Café da manhã - Pousada Cammino Della Serra
Café da manhã - Pousada Cammino Della Serra

Gramado

À noite fomos ver as belezuras do Natal Luz que para nossa surpresa já havia começado. É um conto de fadas! Cidade cheia em uma segunda-feira de outubro. Imagino na época do Natal! Deve ser um formigueiro 😲 Valeu demais conhecer! É muito lindo!!!

Natal em Gramado
Natal em Gramado


Vamos começar o "Caminhos de Caravaggio"?

1º dia - De Canela até Pousada Colina de Pedra

Após o café da manhã partimos da pousada de Canela,  um trajeto planejado de  aproximadamente 25 km neste primeiro dia.

Caminhamos parte pelo acostamento da rodovia, onde o barulho dos carros incomodam, mas antes de chegar a Gramado já seguimos por vias secundárias menos movimentadas. O tempo estava fresco, ideal para caminhar. 


Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"


Após  13 km  a chuva nos pegou de jeito e paramos no Moinho Colonial Cavichion. Conversamos com dona Maristela que contou a história do local que é um ponto turístico. Aproveitamos para descansar e lanchar.

Moinho Colonial Cavichion
Moinho Colonial Cavichion


Com capas de chuva seguimos e paramos  na Família Marcom, um quiosque na beira da estrada onde a Alexandra nos acolheu com muito carinho. Compramos frutas desidratadas e biscoitos deliciosos.

Uma paradinha para um descanso caminhos de caravaggio
Uma paradinha para um descanso


O sobe e desce por lindas paisagens da serra e após uma merecida descansadinha em frente a uma das várias casas de madeira antigas que se espalham pela região, chegamos na Pousada Colina de Pedra.

Fomos bem recebidos pela Carol e Marcelo. Bons quartos e café da manhã. A pousada comercializa vinhos e sucos das uvas produzidas na propriedade. Também vende pratos congelados e com a fome que estávamos o jantar foi maravilhoso. Caminhar 25 km no primeiro dia carregando mochila é puxado. Depois o corpo acostuma 😀

Quarto da Pousada Colina de Pedra
Quarto da Pousada Colina de Pedra


2º dia - Da Pousada Colina de Pedra até Pousada da Dona Solange - Vila Oliva (20,8 km)

O dia amanheceu lindo, mas logo mudou. Vivi teve que voltar para casa. Após belo café da manhã seguimos nós três.  Obs - compramos na pousada um kit com lanche e frutas.

Por belas paisagens seguimos e logo tivemos que colocar a capa de chuva.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"


E o Caminho é assim, como a vida entre altos e baixos. Confesso que amo um dia ensolarado, mas para caminhar uma chuvinha até que vai bem.  Em meus pensamentos os filtros da paisagem iam mudando, sempre imaginava um sol iluminando por onde eu passava. Afinal vemos o que queremos 😀. Quem faz longas caminhadas sabe do que estou falando: você viaja e, às vezes, na maionese. 

O Marcelo da Pousada Colina de Pedra nos falou da Ponte do Raposo que foi trazida da Alemanha  e inaugurada em 1936, visando encurtar a distância do transporte da produção da região para os entrepostos comerciais. Para cobrir o investimento era cobrado um pedágio para cada tipo de transporte e travessia (a pé, de cavalo, charrete, caminhão, etc). Foi um dos primeiros pedágios da região unindo Caxias do Sul a Gramado. Para beijar não se pagava nada!!!!! 😍

Ponte do Raposo - Caminhos de Caravaggio
Ponte do Raposo  (Foto: Mary Sato)

Neste segundo dia alguns personagens como anjos foram surgindo. Em uma  ladeira daquelas bravas, um morador chamado Paulo estava na porta de uma casa simples de madeira. Como é comum ao longo deste percurso, os vários cachorros que cada morador tem, veem nos saudar. Em princípio, os latidos podem dar um certo receio de que vamos ser atacados, mas basta uma palavra de carinho, os rabos já começam a balançar e a ameaça vira uma sequência de afagos. Nessa situação o Sr. Paulo perguntou ao marido se estava tudo bem. Aí o papo começou. De forma simples nos mostrou que a vida que leva é o que faz ele feliz. Disse que a terra lhe dá tudo que precisa e é essencial. Numa paisagem de cair o queixo vive a vida de forma plena. Às vezes corremos tanto atrás de coisas que não nos levam a nada, não é mesmo? Assim se faz o Caminho: ouvindo, aprendendo, conhecendo anjos e são estas as melhores viagens. 

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio "


Depois deste encontro, a chuva veio com tudo. Raios, trovões e nada da Vila Oliva. Estávamos encharcados, nem capa de chuva, nem bota impermeável aguentou o aguaceiro. 

Alguns quilômetros adiante avistamos a pequena Vila Oliva e nos abrigamos em um mercadinho. Lá soubemos que a luz havia acabado. Debaixo do temporal continuamos até a Pousada da Dona Solange, onde o Sr. Volnei e a dona Clair (irmã da dona Solange) nos receberam com o maior carinho do mundo. 

Lavamos e penduramos nossas roupas no varal. Sr. Volnei  colocou lenha no fogão e as botas por perto para tentar secar. Assim foi nos acariciando enquanto dona Clair preparava um cafezinho e  uma mesa linda com pães e frios. Ah! Como um carinho de mãe faz bem! Assim passamos o final da tarde conversando e esperando a luz retornar para tomarmos um banho quente.

Pousada Dona Solange - Caminhos de Caravaggio
Sr. Volnei, Mary, dona Solange, Re, dona Clair e um casal amigo da família

À noite amigos vieram, cada um com um agrado e todos jantamos  na maior fraternidade. Lindo de se ver e viver. O brinde foi com chimarrão, pinguinha e vinho colonial.

Pousada Dona Solange - Caminhos de Caravaggio
Jantar na Pousada da dona Solange

Depois das 22h a chuva voltou com tudo, a luz acabou e num cansaço enorme, eu, pelo menos, desmaiei. Dona Solange nem dormiu, pois há alguns anos uma grande tempestade destruiu a vila. Mesmo assim, logo cedo estava com o sorrisão no rosto.


Pousada Dona Solange - Caminhos de Caravaggio
Quarto Pousada da Dona Solange

Depois do café da manhã chegou a hora da despedida que não foi fácil. Estes anjos estarão sempre em nossos corações 💓.  Muito obrigada dona Solange, dona Clair e Sr. Volnei.

Pousada Dona Solange - Caminhos de Caravaggio
Dona Solange


3º dia - Da Pousada da Dona Solange até o Seminário em Santa Lúcia do Piaí  (15,6 km)

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

Trecho curto e agradável até a Igreja de Santo Izidoro. Para chegar ao Seminário, há um desvio de 4 km de um ladeirão daqueles.

Quando chegamos lá no alto no pequeno Distrito de Santa Lúcia do Piaí, ainda faltavam 600 metros até o Seminário.

Nós e o Seminário Caminhos de Caravaggio
Nós e o Seminário

E os padres são uns queridos!!!  O Seminário é bem bonito e tudo limpo. Fátima  e Aline que trabalham lá, nos receberam muitíssimo bem. Tomamos um bom banho, almoçamos e à tarde foi hora de descanso.  Até wi-fi tem por lá.

Quarto do Seminário Caminhos de Caravaggio
Quarto do Seminário

À noite jantamos com os padres e rolou um papo super agradável, além da confraternização com chimarrão. 

No outro dia pela manhã participamos da oração com os padres que nos abençoaram para seguirmos em nossa jornada. Lindo demais!

Tomamos café e o padre Adriano nos levou de carro até o ponto  do desvio para seguirmos o Caminho.

 Os padres: Adriano, Evanilson , noviço Valdinar e nós Caminhos de Caravaggio
 Os padres: Adriano, Evanilson , noviço Valdinar e nós


4º dia - Do Seminário em Santa Lúcia do Piaí  até Hospedaria Bom Pastor (uns 20 km)

Caminho bem bonito e o tempo começou a abrir. Passamos pelas igrejas de São Paulo e São Maximiliano que estavam fechadas.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

A travessia dessa ponte foi com emoção: rio bem cheio a forte correnteza. Fiquei com medo 😕.  Havia muitas borboletas na ponte, quanta beleza! Só  não contava que as mutucas iriam atacar minhas pernas. Portanto, não esqueça de passar repelente quando sair do Seminário.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

Após atravessar a ponte,  seguimos por muitas subidas com um sol de rachar o coco. Mais alguns quilômetros, chegamos em uma rodovia e tivemos que caminhar por um acostamento. Paramos no Mulki Café e lá ficamos algum tempo para descansar. Pedimos medialuna com frios, que estava  divina. O Rê e a Mary tomaram cerveja já comemorando mais uma etapa.

Pelo Caminhos de Caravaggio - brindando
Brindando mais uma etapa

Já estávamos bem perto da Hospedaria Bom Pastor. Fomos recepcionados pela linda Gleci que carinhosamente nos levou para um quarto limpinho e cheiroso.

Quarto - Hospedaria Bom Pastor
Quarto - Hospedaria Bom Pastor


Além de uma cozinha à disposição dos hóspedes, a Hospedaria tem também uma lavanderia e varal que é excelente para os peregrinos.

A Hospedaria é junto com a Escola Bom Pastor. Oferece cursos profissionalizantes voltados para a agricultura e pecuária para jovens da região. É mantida pela comunidade luterana. Oferece hospedagem aos alunos também. O café da manhã é ótimo e a maioria dos produtos são produzidos lá.

A dona Gleci indicou para jantarmos no Restaurante Wazlawick de excelente padrão. Leva o nome da família que tem uma história centenária. Lá já foi armazém, hospital, salão de baile e outros. O restaurante é todo decorado com móveis utilizados nessas diversas funções, sendo que alguns foram adaptados ao restaurante, como mesas que foram as camas da família. Vale a pena conhecer e experimentar as delícias!

Restaurante Wazlawick
Restaurante Wazlawick

Dona Gleci mais um anjo que surgiu em nosso Caminho. Muito obrigada! 💓

Dona Gleci e nós Hospedaria Bom Pastor
Dona Gleci e nós

5º dia - Da Hospedaria Bom Pastor até Pousada da Chácara (23,1 km)

O início deste trecho é pela Linha Brasil, uma rodovia movimentada e sem acostamento. Caminhar por alí foi bem perigoso. 

Caminhar por rodovias - Linha Brasil Caminhos de Caravaggio
Caminhar por rodovias - Linha Brasil

Depois que saímos da rodovia, o caminho é muito agradável com casas bonitas,  som dos pássaros e murmúrio dos riachos.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

Por volta 14h30 com um calor infernal chegamos na Pousada da Chácara. No final da tarde  caiu um temporal horrível. O quarto tem varanda para um bosque e as árvores balançaram muito. Assustou!

Quarto -Pousada da Chácara
Quarto -Pousada da Chácara


À noite a pousada chamou um motorista para nos levar na cidade de Nova Petrópolis.  Jantamos no Café Kenl e aproveitamos um pouco da Oktoberfest que estava acontecendo. Chop, comidas e música na rua coberta. Muito bom!

Oktoberfest Nova Petrópolis
Oktoberfest Nova Petrópolis


6º dia - Da  Pousada da Chácara até Pousada Recanto das Águias (18,6 km)

A pousada serviu mais cedo um ótimo café da manhã. É muito bom a gentileza das pousadas oferecerem o café da manhã mais cedo para os peregrinos.

Saímos debaixo de um garoa fina. No trajeto tem muitos cachorros, uns simpáticos outros nem tanto. Não tivemos nenhum problema. O que corta o coração é ver alguns cachorros presos em corrente. E está cheio pelo Caminho!😔

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"


Foi um percurso  bem agradável, passamos por muitas plantações de uvas e pêssegos. Não caia na tentação de pegar as frutas se estiverem dentro de uma propriedade.  Comemos algumas jaboticabas que o proprietário ofereceu.

Jabuticabas pelo Caminhos de Caravaggio
Jabuticabas pelo Caminho

Chegamos cedo na Tenda Pouso das Águias que é uma lanchonete em frente à pousada. Comemos um pastel bem gostoso e depois a família nos levou para um local onde costumam se reunir. Aí as histórias rolaram e muitas risadas.

Tenda Pouso das Águias e Pousada Recanto das Águias
Tenda Pouso das Águias e Pousada Recanto das Águias - recebidos com muito carinho

Depois de muito bate-papo, fomos para Pousada Recanto das Águias que é a casa da Zilda e do Gilmar. Fica no mesmo terreno, porém mais reservada. Eles não estavam, chegaram mais tarde, pois tinham compromissos profissionais. Foram muito atenciosos: deixaram frutas e café.

A Pousada Recanto das Águias ainda não consta no guia oficial  impresso, só no eletrônico.
Zilda  Whatapp 54 9164-1728

Pousada Recanto das Águias
Pousada Recanto das Águias

Quardo -Pousada Recanto das Águias
Quardo -Pousada Recanto das Águias


A casa é um charme. Aproveitamos para descansar e lavar roupa. Quando eles chegaram o Gilmar preparou um jantar super gostoso e aí papeamos até tarde. Foi uma delícia estar com eles. Muito obrigada casal pelo carinho!

Zilda,Gilmar e nós Pousada Recanto das Águias
Zilda,Gilmar e nós


7º dia - Da Pousada Recanto das Águias até Capela Caravaggeto (21,5 km)

Cedo tomamos um café gostoso na Tenda Pouso das Águias que fica em frente à pousada. Uma deliciosa tostada com café com leite. Dividi a tostada com o marido, porque é grande.

Tenda Pouso das Águias
Tenda Pouso das Águias

Esse 7º dia precisamos contar com muita fé, pois foi um aguaceiro tremendo por quase todo trajeto. Por alguns momentos tivemos que procurar abrigo. E não é que quando já tínhamos caminhado alguns quilômetros, lembrei que não tinha pego o carregador do celular 😒. Com a chuva que estava não dava nem para ligar para pousada. Assim que conseguimos um abrigo, ligamos e gentilmente o Gilmar pegou o carro e veio nos encontrar trazendo o carregador. 

Foto em um momento de trégua da chuva Caminhos de Caravaggio
Foto em um momento de trégua da chuva (Foto: Mary Sato)

No caminho passamos por um rio que estava muito cheio, aí bateu um medão. Adiante surgiu uma associação com uma área grande coberta e com bancos. Paramos para descansar um pouco e comer. Deu até para tirar um cochilo 😀.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"


Deste ponto seguimos por muitos quilômetros sem ver ninguém até próximo a Capela Caravaggeto onde tem uma placa do Hotel Di Capri. Lá tentamos ligar para o hotel, só que o celular não tinha sinal. A instrução que recebemos foi: peça para algum morador entrar em contato com o hotel. E assim conhecemos a fofa da dona Janete que nos encheu de mimos: bergamotas, docinhos, chá e amor. Papeamos e rimos muito. Mais um anjo no Caminho que com seu acolhimento até esquecemos  que tínhamos caminhado na chuva por aproximadamente 7 horas.

Dona Janete e nós - Caminhos de Caravaggio
Dona Janete e nós

Em 20 minutos, Zucco, o simpático dono do Hotel Di Capri, nos pegou na casa da dona Janete e nos levou para o hotel que é ótimo. Pelo trajeto foi nos apresentando a região.

Hotel Di Capri Zucco e nós
Zucco e nós


Hotel Di Capri quarto
Quarto - Hotel Di Capri

À noite, o jantar foi no Restaurante Antonielle, indicação do Zucco. Um motorista do restaurante veio nos pegar no hotel  e nos trouxe de volta. Pedimos um bife à parmegiana que estava maravilhoso. Um prato serve bem 3 pessoas.

8º dia - Da Capela Caravaggeto até Vinícola Colombo  (15,5 km)

Após um ótmo café da manhã, o Zucco nos levou até a Capela Caravaggeto para retomarmos nossa jornada. Obrigada Zucco por tanta gentileza!

Hotel Di Capri
Hotel Di Capri


Em mais um dia chuvoso seguimos nosso Caminho por lindas paisagens, plantações de uvas e pêssegos. Muita água rolando pelas montanhas. Impressionante as corredeiras passando pelos parreirais.


Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo Caminho de Caravaggio (Foto: Mary Sato)

Cenas que inundam o coração de alegria. O rapaz leva seus cães para  trabalhar com ele. Um chamego só.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Em mais uma subida do Caminho avistamos o distrito de São Roque. Gente me senti no Caminho de Santiago, muito parecido com alguns vilarejos que passamos por lá.

Visitamos a Vinícola Slomp onde fomos atendidos pelo simpático Roque. Experimentamos sucos de uvas que eu amei. O Rê e a Mary degustaram graspa (grappa). Roque nos levou para conhecer uma parreira centenária. Conversamos e rimos muito. Muita simpatia pelo Caminho.

Parreira Centenária Slomp
Parreira Centenária (Foto: Mary Sato)

Logo chegamos na Vinícola Colombo, onde Sr Antonio nos recebeu. Ele estava nervoso, pois a região estava sem luz e já tinha feito um plano B para que fôssemos para um hotel. Decidimos ficar por lá (uma casa restaurada do século XVIII). É esta de madeira que está na foto.

Sr Antonio, nós e a casa Vinícola Colombo
Sr Antonio, nós e a casa



Quarto Vinícola Colombo
Quarto Vinícola Colombo

Conhecemos sua vinícola, lavamos roupa e tomamos banho frio 😞

Vinícola Colombo
Vinícola Colombo

À luz de velas passamos a noite. Sr Antonio deixou alguns ingredientes para fazermos uma fortaia (omelete) e o café da manhã. Marido foi para cozinha e providenciou o jantar.

Preparando o jantar à luz de velas na Vinícola Colombo
Preparando o jantar à luz de velas na Vinícola Colombo


9º dia - Da Vinícola Colombo até Santuário de Caravaggio (22,5 km)


Na madrugada a luz retornou e como um presente de Deus o dia amanheceu  maravilhoso. Preparamos o café da manhã e saímos para nosso último dia de caminhada.

Café da manhã na Vinícola Colombo
Café da manhã na Vinícola Colombo

Já na estrada, passamos pelas parreiras do Sr. Orlando, um simpático senhor que papeou conosco e quis saber sobre a caminhada, convidou para um café. É muito carinho de todos os lados.

Sr Orlando e nós Caminhos de Caravaggio
Sr. Orlando e nós


Há um trecho neste trajeto final que é meio esquisito: muito lixo, entulho. Bem diferente de todo Caminho. Ficamos sabendo que é invasão de terra.

Mais ou menos no km 12, chegamos em uma barraca que vende frutas, pães, queijos e outros. Paramos para comer e descansar.

O proprietário sentou conosco e conversa vai e vem falamos das dores da vida. A história dele nos comoveu muito. Tinha perdido a filha única em um acidente de carro há pouco tempo.
Um amigo me chamou para cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso e fui. Clarice Lispector
Só sei que depois dessa conversa, não senti os 10 km que faltavam, muito menos o subidão final. Segui em oração, em agradecimento.

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

Pelo "Caminhos de Caravaggio"
Pelo "Caminhos de Caravaggio"

Diga se não é a mão de Deus, chegarmos ao Santuário com um céu azul desse.
Chegar nunca foi o objetivo, em nenhum momento ansiamos pela chegada. O Caminho foi acontecendo.

Santuário de Caravaggio Farroupilha
Santuário de Caravaggio Farroupilha


Nem sei  por que, mas entramos na igreja menor (que está à direita) e ficamos em silêncio cada um com sua prece. Fiquei muito emocionada e  agradecida. Seguimos para o Santuário,  havia começado a missa e por lá ficamos.

Após a missa, seguimos com o Reitor do Santuário, padre Gilnei Fronza, que nos entregou  o certificado, ganhamos adoráveis presentes e participamos da cerimônia de tocar o sino. Gente foi uma surpresa para nós todo este ritual, foi muito emocionante!

Os cajados feitos pelo Rê com madeiras e galhos encontrados pelo  Caminho foram deixados no Santuário para que pudessem ser utilizados por outros peregrinos.

Santuário de Caravaggio Farroupilha
Santuário de Caravaggio Farroupilha (Foto: Leandro Ávila)


Em frente ao Santuário está o Hotel Bem Te Vi. Dormimos e jantamos por lá.  Mariane e Rudnei nos atenderam super bem.

Quarto do Hotel Bem Te Vi
Quarto do Hotel Bem Te Vi


Rudnei e nós Hotel Bem Te vi Farroupilha
Rudnei e nós


Realmente fomos presenteados, veja que lindeza o Santuário à noite e estava um frio danado.

Santuário de Caravaggio Farroupilha
Santuário de Caravaggio Farroupilha


Como é bom cair na estrada e viver as coisas simples da vida: curtir o pôr do sol, comer uma fruta no pé, um abraço apertado, o som dos pássaros, um sorriso iluminado, um cafezinho com bolo, um bom dia bem dado, o barulho da chuva, papear com as pessoas, observar a lua ...

São as coisas simples da vida que trazem felicidade, aprendizado, bondade, acolhimento, paz, amor... Que sigamos assim: amando e sendo amados.

 Viva Caminhos de Caravaggio!!!


4 comentários

  1. Conheço Caravaggio em Canela e em Farroupilha e sou devoto de Nossa Senhora de Caravaggio. Porém ao ler o relato da Quenia e do Reginaldo no Face sobre o "Os Caminhos" fiquei encantado e com muita vontade de "organizar" com amigos esta aventura. Além da simplicidade dos relatos e das pessoas ao longo do caminho, a beleza das fotos contagiou. E a parte em que fala dos queridos amigos Zilda e Gilmar e da Pousada Recando das Águias foi para "fechar" com "nota 10"!!!

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    1. Que maravilha!Organize sim com seus amigos, é muito lindo. As pessoas são maravilhosas!
      Zilda e Gilmar são especiais e estão em nossos corações.
      Abraços

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  2. Que texto lindo, minha amiga! Deu para sentir a emoção desse caminho. Preciso ter preparo físico para fazer um desses um dia. Beijo grande

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    1. Amiga ainda vamos fazer juntas!
      Fico feliz que tenha gostado, foi escrito com muito amor. Beijos

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